Programa Integra RS reforça expansão do sistema lavoura, pecuária e floresta no Estado
Debate durante a Expointer destacou metas, capacitação e impacto do programa no campo gaúcho
Publicação:
O Governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), promoveu nesta quinta-feira (4/9), durante a 48ª Expointer, um debate sobre o Programa Integra RS. A iniciativa busca ampliar a adoção do Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) no Estado, com a meta de expandir em 1 milhão de hectares a prática que alia produtividade, sustentabilidade e diversificação de renda no campo.
O encontro reuniu o titular da Seapi, Edivilson Brum, e representes de entidades, que reforçaram a importância da difusão de tecnologias e da capacitação de técnicos para levar o sistema aos produtores rurais gaúchos. Brum afirmou que a maioria das propriedades no Estado tem de um a 50 bovinos e que a vocação do gaúcho para criar e produzir é decisiva no que se refere ao futuro da agropecuária. O secretário lembrou que as mudanças climáticas já impactam o setor produtivo e que todos, dos grandes aos pequenos produtores, precisam se adaptar.
Qualificar e comunicar
Dentre os participantes do evento, estava o coordenador do Plano ABC+RS, Jackson Brilhante, segundo o qual a expansão da ILPF depende da articulação entre governo, entidades e a rede de extensão rural. “O programa fomenta a qualificação da equipe técnica, especialmente da extensão, para que a aplicação das práticas chegue às propriedades em todo o Estado”, disse Brilhante.
Para o diretor de projetos da Rede ILPF, William Marchió, a produção brasileira já está entre as mais sustentáveis do mundo. “O desafio é comunicar essa expertise, reconhecida no setor, também para a população urbana, mostrando como a tecnologia sustentável gera valor. É uma estratégia que beneficia as famílias rurais e fortalece comunidades."
O presidente da Emater/RS-Ascar, Luciano Schwerz, por sua vez, avaliou a Expointer como espaço de oportunidade para conexões e estratégias. “A feira tem permitido debater o futuro da agropecuária e apresentar projetos como o Integra RS, que pode transformar a realidade no campo."
Já o presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Eduardo Bonotto, pontuou que a capacitação e a sensibilização dos produtores são fundamentais para consolidar o sistema. Ele destacou que o setor do arroz também está alinhado com a pauta da integração.
Resultados mapeados
O mapeamento da Emater/RS sobre experiências em sistemas integrados evidenciou ganhos expressivos para a produção e o meio rural. Os dados apontam aumento da produtividade, especialmente na produção leiteira em áreas silvipastoris, recuperação de áreas degradadas, maior acúmulo de matéria orgânica no solo e melhora no bem-estar animal, garantido pelo sombreamento das árvores.
Os agricultores relatam ainda diversificação da produção, fortalecimento da agroecologia e inserção em mercados institucionais e feiras locais. A troca de experiências em mutirões aparece como fator relevante para o aprendizado coletivo. Entre as práticas mais consolidadas está a integração lavoura-pecuária, presente, sobretudo, em pequenas propriedades, combinando soja e milho no verão com aveia e azevém no inverno, o que tem gerado benefícios tanto para a lavoura quanto para a pecuária.
Início do programa
O Integra RS foi lançado em 2024 numa caravana de eventos itinerantes que percorreu municípios como Porto Alegre, Bagé, Ijuí, Passo Fundo e Rosário do Sul. Com base nessa experiência, o governo e parceiros estruturaram o programa para ir além dos encontros, investindo na formação de técnicos e no estímulo à adoção em larga escala. Logo no início, o Estado assinou o termo de cooperação com os envolvidos no projeto.
Sustentabilidade e renda em diferentes prazos
A integração lavoura-pecuária-floresta garante retorno financeiro em etapas: a curto prazo, com grãos; a médio prazo, com a pecuária; e, a longo prazo, com a silvicultura. O modelo proporciona o uso mais eficiente do solo, diversificação da produção e redução de custos, além de ganhos ambientais, como sequestro de carbono, menor emissão de gases de efeito estufa e melhoria na qualidade da água e do solo.
Adaptável a pequenas, médias e grandes propriedades, a ILPF pode ser aplicada em diferentes biomas brasileiros. Entre as práticas mais comuns estão o cultivo de soja, milho e algodão, a bovinocultura de corte e leite e o plantio de eucalipto.
Fotos: Elstor Hanznen/ Ascom Expointer
Edição: Ascom Expointer